Há anos atuo com design para a área de tecnologia e percebo um descompasso que acontece com frequência nas empresas. De um lado, um enorme esforço para construir a marca, fortalecer o branding e criar uma boa percepção junto ao mercado. Do outro, sistemas e experiências digitais que não entregam a mesma qualidade.
Isso acontece porque ainda existe uma significativa distância entre Marketing e Tecnologia. Tudo aquilo que está ao alcance do marketing recebe atenção. Já os sistemas, muitas vezes, ficam em um território à parte. Para o cliente, no entanto, não há essa diferenciação. Por isso, quando precisa acessar um sistema, preencher um cadastro ou utilizar uma plataforma e encontra dificuldades, ocorre uma ruptura entre a promessa da marca e a experiência que lhe é entregue.
E isso acontece porque, na prática, muitas áreas de marketing ainda enxergam a tecnologia como um território complexo demais para ser discutido. Ao mesmo tempo, equipes de TI permanecem fechadas em uma lógica técnica, distante das necessidades do negócio e da experiência do usuário.
Os números ajudam a explicar o cenário. Segundo levantamento da HubSpot, 27,6% das empresas ainda operam com sistemas desconectados, e 72% afirmam não conseguir medir corretamente o retorno de suas iniciativas. Quando os dados não conversam entre si, as áreas também deixam de conversar.
Na minha empresa, observamos diariamente que as organizações mais bem-sucedidas são justamente aquelas que compreenderam que a experiência digital é uma responsabilidade compartilhada. Por mais que algumas empresas resistam, percebemos um movimento bastante natural que demonstra uma mudança de paradigma.
Já há exemplos em que o marketing está se apropriando cada vez mais da tecnologia. Com a inteligência artificial e as novas ferramentas tornando o desenvolvimento mais acessível, a distância entre essas áreas tende a diminuir.
Entretanto, essa transformação começa com um diagnóstico para entender, primeiramente, o ponto de vista do usuário. A partir daí, uma boa forma de conduzir esse processo é criar comitês multidisciplinares que tenham essa visão do todo, com metas compartilhadas e decisões orientadas pela jornada do cliente.
O custo de promover essa integração existe. Mas é muito menor do que o custo de não fazer nada. Porque, no mercado atual, não basta construir uma marca forte. É preciso garantir que a tecnologia entregue exatamente aquilo que ela promete.




Bem colocado Letícia. Os verdadeiros embaixadores da marca, os personagens da organização, estão realmente embuidos de seu propósito de fortalecer sua marca?
Obrigada pela contribuição, Cristian! Esta tua colocação é importante para provocar nos gestores a reflexão de que a tecnologia deixou de ser apenas operacional há muito tempo, passando a ter um forte papel estratégico no fortalecimento das marcas 🙂