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Li um post outro dia que falava sobre “ser feliz de propósito.” Que passa pela decisão de ser feliz e efetivamente agir para tal. Compartilhei o post sem pensar muito e recebi dezenas de comentários sobre. As pessoas precisam, mais do que nunca, falar. Pessoas compartilhando a dificuldade que é ter este controle de rédeas e de como o inesperado ou, a vida real, nos abalroa. E desmorona a tal felicidade. Ou pior, não deixa que ela sequer apareça. Me chamou atenção a forma como a maioria dirigiu-se à entidade “Felicidade”.

Como se ela fosse um bloco, um prédio estruturado a ser conquistado, um “Grupo Felicidade SA”. No mesmo dia, almocei com uma amiga – daquelas que nos presenteiam com muitos insights – e discutimos sobre o assunto. Sobre nosso papel em fomentar estes momentos felizes, sobre a nossa decisão do que fazer com o que temos. Qual receita vamos preparar com os ingredientes que temos em casa? Sobre “passar a régua” nessa tristeza que muitas vezes nos paralisa. E também, sobre o sentido e propósito da nossa vida. Nossa vida não é um pacote carimbado, meus caros. Mas, muitas vezes busca-se a felicidade carimbada de prateleira mesmo. Quando não a encontra por si, é terceirizada pra chefes, empresas, coaching/mentor e governo. Conquistada a tão desejada realização, um produto para estampar no instagram. Hashtags definem a legenda como queremos ser lembrados. Wow! Como se uma legenda pudesse conter uma vida real… ou ao menos preencher uma. E, a cada geração, o ideal de vida, de felicidade, é atualizado. A minha geração, nascida na década de 70, idealizava o sucesso em uma “carreira profissional”. No serviço público ou privado. Carreiras longas estáveis eram um sonho a ser perseguido. Empreender em negócios inovadores, apenas com riscos baixos e calculados, por favor! Cartões poderosos impressos no melhor papel coucher, representavam orgulho e satisfação estampados em rostos de pessoas bem-sucedidas social e economicamente. Felicidade? Termo pueril para os idealistas que não precisavam pagar as contas. Felicidade vinha junto com o pote de ouro ao final do arco íris para os que obtinham o sucesso profissional, com gordos salários. E nada contra gordos salários e lucro.  Amo a vida confortável que o dinheiro traz. Mas também amo o trabalho que escolhi e que me possibilita ter este conforto.  É uma consequência e não um fim. Mas sempre fui atenta para que esta busca não cobre um preço alto demais. O que é alto demais? Aquela questão dos instantes, lembra? Os bons instantes têm SEMPRE que estar na linha de frente. Ou quem sabe tentar ao menos o equilíbrio? Olha pra dentro. Pro teu universo particular. Vamos baixar a ansiedade, essa angústia que rasga o peito e sermos felizes de propósito?  Com propósito? Ah, e sair da caixa nem sempre é necessário.

Muitas vezes precisamos apenas ressignificar, permanecermos onde estamos e está tudo certo. Fugir não acalma o coração. Mas acolher os instantes não tão bons, dando a eles o valor transformador que eles devem ter e nos apaixonarmos pelos instantes que nos transbordam, sim. Porque estes têm que estar lá, porque escolhemos vive-los. Não por acaso. Porque a vida é feita de instantes, e que ela seja formada por mais instantes felizes do que tristes.  

Letícia Batistela

Letícia Batistela

Advogada, com mais de 20 anos de experiência no setor de TI, é apaixonada por inovação e ainda mais por concretizar ideias com foco em resultados, sejam eles econômicos ou sociais. Ver perfil completo >>

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