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Durante minha adolescência pratiquei Karatê por alguns anos e lembro bem de um conceito que aprendi na época: o nosso centro de gravidade. Que é como um eixo central no meio corpo onde, se você desloca esse eixo para frente ou para trás, você cai.  Conceito simples e óbvio… mas adquirir esta consciência ajudou e muito em questão de equilíbrio e execução.

Os anos foram passando e eu passei a observar a vida com alguns paralelos deste conceito, aplicando a uma das coisas que mais me fascina: o tempo. Não na visão científica/física/biológica, mas em uma visão mais psicológica e filosófica. Esta visão me ajuda todos os dias e resolvi compartilhar com vocês como uma sugestão de abordagem para encarar a vida.

Divido esta abordagem em 3 perspectivas relacionadas a nossa percepção do tempo e concluo com algumas dicas práticas que espero que possam contribuir para suas reflexões e crescimento como indivíduo.

Deslocamento do eixo temporal

Ao analisar a vida e suas problemáticas, comecei a notar um ponto em comum, uma causa raiz da grande maioria das aflições mentais diárias: O deslocamento do eixo do indivíduo para o passado ou para o futuro. Este falso deslocamento (falso pois, obviamente, só temos o presente como realidade consciente) projeta somente coisas negativas.

O deslocamento do eixo da nossa consciência e atenção para as coisas negativas do passado é a causa de muitos traumas, medos, mágoas, falhas, arrependimentos etc. Trazer estes pontos para o presente é reviver inutilmente estas experiências e prejudicar a sua felicidade e foco no agora.

O deslocamento do eixo da nossa consciência para o futuro, antevendo questões negativas, é a causa de muitas ansiedades, preocupações e stresses, onde escolhemos sofrer as chagas e desvantagens de coisas que ainda não aconteceram, normalmente sendo um início de um looping que vai gerar (daí sim) uma consequência prejudicial ao nublar a nossa capacidade de ação.

Eu sei que não é fácil…eu sei que existem estágios onde este deslocamento é patológico e não pretendo aqui passar uma receita de bolo. Se este é o seu caso, a busca por um profissional da área de psicologia é o melhor caminho sempre. Mas acredito (e faço diariamente) o exercício da consciência como um primeiro passo. Parar e pensar, refletir a todo instante se eu estou sofrendo por estar me deslocando para o passado ou para o futuro para e, a partir daí, tentar (ao menos tentar) criar estratégias de relativização deste desequilíbrio e reestabelecer o eixo em mim, no presente.

A única razão propositiva de termos uma consciência e pensarmos nas coisas negativas do passado/futuro é o aprendizado.

Só vale a pena gastar energia no passado se for para aprender com ele, revisar algum ponto, ver o que pode ser repetido.. o que não queremos repetir.. uma ferramenta de lições aprendidas para proporcionar um presente melhor.

Só vale a pena gastar energia com o futuro se for para planejar, traçar uma rota para onde quer chegar. Fazendo desse exercício, uma ferramenta de cenários e possibilidades para nortear nossas ações.

Zoom In/Zoom Out

Percebi também que, quando estamos em uma situação adversa, nosso corpo (possivelmente como uma reação instintiva de sobrevivência) foca nossa energia em uma visão micro no que diz respeito a percepção do tempo (assim como faz com nosso corpo em momentos de perigo). Esta visão micro faz com que você veja a realidade onde só existe o curto prazo.

É como se a sua vida fosse uma foto e em um momento imprevisto você fizesse um Zoom para um ponto muito pequeno e a sua total percepção se torna aquele ponto… tente fazer o exercício.. tente lembrar a última vez que ficou com um problemão…e tente perceber o quanto, naquele momento, só existia aquela situação… aquilo era tudo que importava… e algum tempo depois aquilo vira algo praticamente insignificante ou apenas uma memória ruim.

É nesses momentos que eu busco fazer o “zoom out” (e acredite, não é fácil.. mas, novamente, a ideia aqui é fomentar a consciência de coisas que são óbvias, mas que são tão facilmente esquecidas nos momentos em que o bicho pega) que basicamente é lembrar da visão macro. É lembrar que as janelas de tempo são mais amplas, que aquele problema ou situação deve ser colocado em seu lugar.. é me forçar a ‘ver a foto inteira novamente’ para poder pensar e agir melhor.  

Você se lembra na sua 8ª série…aquela prova de matemática onde você precisava tirar a nota acima de 7 para passar era toda a sua preocupação, era o seu mundo.. e na noite anterior sua insônia fez você ficar cansado e chegar apavorado para a prova. Provavelmente você não lembra, provavelmente isto é insignificante para você atualmente.

Então, porque esperar anos para botar uma situação destas no seu devido lugar ao invés de fazer isto quando mais importa.. no presente. Faça este exercício. Respire fundo, se acalme e pense de forma macro. Verifique as distorções e exageros de importância, dê a devida relevância para as situações… melhore a sua leitura da realidade.

Ilusões temporais 

Outra perspectiva que faz a diferença nesta análise, é entender que a nossa mente nos ilude o tempo todo. Que ela nos dá os sentidos e percepções como ferramentas para entender a realidade objetiva, mas nos ‘prega peças’ o tempo inteiro. São famosas as ilusões de ótica e coisas parecidas.. mas a nossa percepção do tempo também é cheia de conclusões enganosas e o cuidado com elas é igualmente importante. Devemos lembrar que o mapa não é o território e que nossa mente distorce, deleta e generaliza o tempo todo.

Para citar exemplos desta distorção (gerada por uma sensação de que somos o centro do universo) deixo os fatos históricos abaixo:

Quando você pensa na Marilyn Monroe, qual imagem vem à sua mente? Possivelmente a imagem de uma mulher jovem, bonita…mas uma imagem do passado…talvez ainda em preto e branco.

E quando você pensa na Rainha Elisabeth qual imagem vem a sua mente?

Possivelmente uma senhora idosa, com suas roupas clássicas e toda sua pompa, mas certamente uma imagem atual, de alguém do seu tempo.

Você sabia que as duas nasceram no mesmo ano? Sim, ambas nasceram em 1926.

Mas a distorção ocorre devido a repetição e perda da informação devido a morte precoce da primeira.


Você se lembra de ter ido assistir O Rei Leão?

Pois saiba que a chegada do homem na lua (sim, isso aconteceu…se você discorda pode fechar este artigo imediatamente, obrigado) está mais próxima do lançamento do filme Rei Leão do que a data do lançamento do filme está para os nossos dias atuais?


Você sabia que quando o primeiro filme do Star Wars foi lançado ainda existiam pessoas sendo executadas por guilhotina em alguns lugares do mundo?


Quando você pensa na Cleópatra você logo deve pensar no Egito…deserto…pirâmides.. correto?

Pois saiba que estamos mais próximos hoje em dia da época em que a Cleópatra viveu do que a distância de tempo entre a conclusão da criação das pirâmides até o nascimento da rainha do Egito.

So what?

Estas perspectivas somadas ao fato de que o tempo é o nosso bem mais escasso e precioso me levam sempre a revisitar e observar este assunto com atenção.. por mais óbvio que pareça.. por mais clichê que seja atualmente… começar a ter consciência da percepção do tempo é sim uma forma prática e objetiva de melhorar a sua vida.

Tome consciência da passagem do tempo.

Saia do piloto automático.

Respire.

Às vezes fique com tédio (sim, pois é no tédio que o tempo parece passar muito mais devagar e temos mais espaço para reflexão…pois nos momentos de extrema felicidade o tempo vai voar e você vai querer aproveitar ao máximo aquele micromomento que passará tão rápido, em segundos, mas que marcará para sempre a sua memória).

Se conseguir, medite. Eu não sou o cara da meditação para ficar ‘good vibes’, etc etc. (nada de errado mas não é o meu estilo). Mas a meditação ajuda no foco no agora, nas reflexões práticas e objetivas para tratar a passagem do tempo como aprendizado.. ajuda a colocar você sobre o seu próprio eixo. Um encontro de você em si mesmo…objetivando uma vida mais que plena, uma vida que transborde.

Dê valor ao tempo.

Detesto a visão do tempo como um escudo, como um esconderijo… “o tempo cura tudo”… “deixa assim que o tempo leva”… omitindo o nosso protagonismo na nossa própria vida e delegando a uma dimensão universal e imparcial que conduza a minha vida. Nada de “deixa a vida me levar” por aqui. Você é o responsável pela sua felicidade.

A melhor forma de dar o devido valor à preciosidade do tempo é fazer o melhor que puder com ele. Com o presente. Com o aqui e o agora… Usar o passado como base de aprendizado e projetar o futuro sem limitar suas chances de felicidade.

Pense rápido, qual a sua melhor versão? Onde, com quem e como você queria estar agora?

Você ainda tem tempo! Dê valor ao tempo e vá atrás daquilo que te dá borboletas no estômago.

Retribua o universo devolvendo a ele a melhor versão de você… e não aceite uma versão onde você não se sinta tão feliz que nem consiga segurar o sorriso no rosto.

Dê o primeiro passo.

Não é tarde.

Os autores dos artigos, vídeos e podcasts assumem inteira responsabilidade pelo conteúdo de sua autoria. A opinião destes não necessariamente expressa a linha editorial e a visão do Instituto Dynamic Mindset.

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Felipe Neto

Felipe Neto

Apaixonado por Inovação, Música e filosofia sou um entusiasta de ideias inspiradoras e reflexões que levem ao desenvolvimento do indivíduo e sociedade. Formado em Administração e pós graduado em Gestão de Negócios, atuo com Tecnologia e Inovação desde 2011, tendo atuado como Gestor de P&D, Inovação e Consultor de negócios.

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