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Matar mulheres. Matar nossa esperança. Matar nossa capacidade de indignação.
Até quando essas notícias continuarão sendo apenas mais uma postagem que deslizamos em nosso feed? Apenas mais um caso lamentado por alguns segundos e relativizado diante do carrossel de urgências cotidianas?
Até quando vamos seguir tratando a violência contra mulheres como se fosse algo distante — algo que acontece com outras pessoas, em outras casas, em outras realidades?

Enquanto isso, milhares de mulheres seguem vivendo com medo. Medo de feriados, de finais de semana, de estar sozinhas — ou acompanhadas de quem deveria ser um porto seguro. Medo de dormir. Medo de relaxar. Medo de sonhar. Medo de existir com tranquilidade dentro da própria casa, no espaço que deveria ser sinônimo de proteção, de afeto, de paz. De um silêncio acalentador, e não opressor.
É preciso nomear o que muitos ainda tentam disfarçar: covardia. Violência doméstica, ameaças e abusos não são exceções. Não são “problemas de casal”. Não são “momentos de descontrole”. São o reflexo brutal de uma sociedade que ainda tolera e banaliza o machismo. Uma sociedade que valoriza o silêncio hipócrita, que normaliza agressões verbais com piadas, que disfarça o ciúme com proteção.

E não é amor se machuca. Não é cuidado se aprisiona. Não é proteção se cala — física ou psicologicamente. Óbvio? Infelizmente, nem sempre.

Não basta mais lamentar. Já passou da hora de agir. É urgente denunciar. É urgente educar. É urgente acolher e transformar. A mudança começa em cada espaço da nossa vida: nas casas, nas escolas, nas empresas, nas instituições públicas, nos espaços de poder. Precisamos construir uma cultura que ensine o respeito desde a infância, que forme homens conscientes e mulheres sem medo. Que aponte o erro e proteja a vítima. Que responsabilize com justiça — e com urgência.

Porque nenhuma mulher deve viver com medo. Nenhuma.
Porque cada mulher agredida é uma parte da nossa própria humanidade que adoece.
Porque, quando a sociedade se cala diante da violência, ela se torna cúmplice. E também covarde.
E, meus caros, a violência contra mulheres não é exceção. É rotina.
É estatística que se repete com rostos diferentes, mas com a mesma dor, o mesmo ciclo, o mesmo desamparo.

E, por isso, precisamos romper esse ciclo. Precisamos fazer barulho.
Até quando? Até que todos nós digamos, com voz firme, com ações concretas e com coragem:
nunca mais. Porque é intolerável. Porque é inaceitável. Porque é urgente. Porque a próxima vítima pode ser alguém que você ame. Ou, quem sabe, você.

Se queremos, de fato, mudar essa realidade, precisamos transformar indignação em atitude. A luta contra a violência começa com a escuta ativa, com o acolhimento sem julgamento e com a coragem de romper ciclos dentro das nossas próprias casas, comunidades e instituições. Que cada um de nós se comprometa a ser parte da solução: apoiando mulheres em situação de risco, denunciando agressões, educando as próximas gerações com base no respeito. Não podemos esperar mais.
O que você, que exerce uma posição de liderança, faz efetivamente para mudar esta realidade entre os seus liderados? O fim da violência contra mulheres depende de cada um e de todos nós. Chega de terceirizar.

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Letícia Batistela

Advogada, com mais de 20 anos de experiência no setor de TI, é apaixonada por inovação e ainda mais por concretizar ideias com foco em resultados, sejam eles econômicos ou sociais. Pós graduada em Gestão de Negócios pela FDC, Direito Empresarial pela FGV e fez parte do Programa de formação de Conselheiros/PDC da FDC. Em 2018 e 2019, foi indicada como um dos 500 advogados mais admirados do Brasil, segundo publicação da Revista Análise Editorial, que ouviu Diretores e Gerentes de Departamentos Jurídicos de empresas. Atualmente preside, em Porto Alegre, a Empresa Pública de Tecnologia da Informação e Comunicação – PROCEMPA. A busca por aprender com os grandes e aprofundar seu conhecimento concreto, a fez atuar em entidades associativas do setor de tecnologia, sendo Diretora Jurídica da SUCESU, VP Jurídica da Federação das Empresas de Tecnologia/ASSESPRO, após exercer por 2 anos a Presidência da Assespro/RS. Participou da diretoria de várias entidades e atualmente faz parte do Conselho de Administração da PROCEMPA e PROCERGS. É Diretora da FEDERASUL, além de coordenar a Divisão Jurídica desta entidade. Sua aproximação com a Mentoria ocorreu através do WLM, Women in Law Mentoring Brasil, onde é membro fundadora.